sexta-feira, maio 29, 2009

Cardenitos Chilenos II

Foto: Maria Antonia Demasi















Tudo pronto.
Malas prontas.
De saída.
Mas e aquela caixa embrulhada, adesivada, ensacada, mocosada?
Agora?
Sim.
Porque ela incomoda, mesmo sabendo escondida.
Então tá. Se for pra dar fim, é agora.
Tesoura.
Estilete. Força.
Tira as fitas.
Tira os sacos.
Joga os acessórios.
Destrói, pica, puxa, puxa.
Puxa a fita.
A pica resiste.
Só perde um pedaço ínfimo da ponta. Mas resiste.
Não há tempo para insistir, e agora, justo agora, nem para desistir.
Embrulha de novo. Meia boca.
Leva e dispensa no aeroporto.
No aeroporto?
A coisa pesa.
Dispensar onde?
É uma bomba. Difícil.
Precisa de muita discrição.
Não é lixo de natureza comum.
Pesa.
É perceptível quando colocada em meio ao que entendemos como lixo.
Menos mal.
Tempo hábil para simulações.
Simulação um
Um desastre: a faxineira prestimosa trocava os sacos dos lixos. Não ia dar certo.
Reunião.
Dúvida.
E agora?
Tempo.
A solução tem que ser local e imediata.
Alvo mudado. Banheiro dois.
Simulação dois
Jogo rápido.
Desembrulha. Tira da caixa.
Enrola no jornal do dia 19 de outubro de 2006.
Perfeito.
Mas é um plano sujo.
Por garantia: o saquinho vermelho de veludo, invólucro original, vira luva.
Abre-se um buraco no lixo.
Mete-se a coisa.
Saída rápida.
Sorrisinho sujo.
Missão cumprida.
E a sensação de ter feito não-sei-o-que.

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