sexta-feira, junho 19, 2009

De repórter para repórter

Foto: Maria Antonia Demasi

Foi enfermeira.
Olhos azuis... Perdidos.
Quando lembra... Lembra que tem Alzheimer.
Não sabe como Fátima entrou em sua vida, em sua casa.
Mas as vizinhas perceberam uma movimentação estranha da moça, pra cima e pra baixo com a senhora.
Denunciaram na promotoria.
Os investigadores começaram a investigar e logo perceberam: Fátima era uma estelionatária.
Quando cheguei, tentei conversar com a Senhora.
Desisti. Não acho correto expor alguém assim. Mas o promotor disse que poderia: ela ainda não foi interditada.
Mas será. Ele vai solicitar que uma das vizinhas seja curadora, para assim poder refazer seus registros junto ao INSS e então controlar, ao menos, a sua vida financeira.
A bandida é uma bandida.
Fria. Fumando displicentemente. Dizendo ter a “consciência limpa”.
Vai pegar de um a cinco anos de cana.
Os funcionários da promotoria que acompanham a movimentação, me disseram que dia sim dia não, aparecem casos assim.
Dia sim dia não, quem a cada dia vai ficando mais frágil, pois mais velho, cada dia também fica mais exposto a um universo de cidadãos que já perdeu o pudor e atacam todos e tudo que garante a dignidade de uma pessoa.
Fiquei muito puta com o que vi.
É isso. Espero que essas informações te ajudem na matéria.

30/03/2006

3 comentários:

  1. Casa nova, tudo novo.
    Eu tinha acabado de chegar de uma redação de jornal naquela redação de TELEjornal.
    Não bastava apurar bem... Tinha que falar direitinho, se mexer direitinho... Ai meu Deus!
    Tinha dias que dava desespero, vontade de sair correndo, de voltar à boa e velha Folha (para onde, afinal, agora voltei).
    Como toda redação, aquela era corrida...
    Bem corrida.
    E um dia eu cheguei e descobri que teria que fechar o VT sem ouvir a personagem da história... Só a principal personagem...!!!!
    Mais medo... O medo de errar a forma já era constante. Agora, ele se juntava ao medo de errar o conteúdo e me assaltava de vez.
    Foi aí que apareceu na minha mesa esse texto aí da Tonha.... Um relato de gente que se indigna, que se comove, que questiona... que tem alma.
    Descobri que não precisava ter medo.
    Aliás, desde então, nossa convivência me ajudou a vencer esse e muitos outros medos. E incorporou uma expressão fundamental ao meu vocabulário: "tá tudo certo".
    Pensar assim acalma, permite que eu conviva melhor com a idéia de que somos todos muito diferentes (graças a Deus!) e que, apesar dos baixos, a vida tem deliciosos altos.
    É isso aí, amiga. Tá tudo certo!
    Com carinho e enorme admiração
    Sílvia

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  2. Tem gente que assusta e envergonha.
    E são tantos e fazem tanta coisa igualmente assustadora e vergonhosa que dá vontade de perder a fé na natureza humana.
    Mas a gente não perde... menos mal.
    beijão

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  3. Alguém tem que falar, não é mesmo?? Adorei a crônica Tonha. Espero que tenha tido algum retorno... Beijos.

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