quarta-feira, março 23, 2011

Alicate de unha


Um alicate antigo, pesado. De dentista renascentista.
Sem motivo, com muita precisão e manobrado por uma mão sem rosto, arrancava as unhas uma a uma no ritmo dos gritos encarcerados da mulher.
Dor funda. Dor que não sentiu, mas imaginou. Era sempre assim. Sem mais nem menos Elvira era invadida por essa imagem-dor.
Até o dia em que esmagou três dedos na porta do armário. Ficou sem voz e sem unhas. Nunca mais sonhou assim.

3 comentários:

  1. Uma dura realidade pode doer mais que mil pesadelos. Que bonita esta prosa poetizada, Antônia!! Meu abraço. paz e bem.

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  2. Feridas abertas e alicates de dentista louco, todos nós temos um pouco.

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  3. Maria Antônia, que belo jogo de palavras que nos mostram a diferença e ao mesmo tempo a semelhança dos pesadelos com nossa realidade.Gostei do que li.Beijos!

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