quarta-feira, março 09, 2011

Posturas III


Jogava o corpo para trás e a existência para frente. Com as duas mãos, com os dois braços.
Na dúvida, segurava a vida pelas ancas.
No rosto, o maior vão do buraco da vida.
Quando o outro não conseguia fazê-la entender vida ou detalhes técnicos dela, falava alto e ela, escutava baixo.
Quando não entendia absolutamente nada, parava, aprumava as ancas e esperava.
E de tanto seguir nesse sacolejo frouxo de existir, um dia desancou e caiu.

2 comentários:

  1. segurar a vida pelas ancas... muito bom isso.

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  2. Y un día jugaba el cuerpo a inventarse la vida. Redondo, o con aristas, entendiendo o malentendiendo, se agarraba a las anclas de la vida, aunque, a veces las anclas, se desenganchaban, o se caían. Y aún así, el cuerpo existía, con esa calma llena de pájaros de las encinas ;-)

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